Mostrando postagens com marcador Solitário. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Solitário. Mostrar todas as postagens
Mistério ao vento (1971), de Reynaldo Fonseca.

Fui
e sempre serei
um homem nú-
mero.
Um resultado errado
para os problemas da vida.

Alma trans-
ferida
que não cicatriza.

Gente espontânea-
mente indecisa.

Fui
e sempre serei
um homem só-
brio.

Uma vil incógnita
para uma equação perdida.



Nos invernos chuvosos de vidraças embaçadas
Foram tortuosas horas de estupor noturno
Meu corpo frágil, tísico e taciturno
Deitou-se sob o céu, amortalhado

No peito, um incômodo chiado
Arranhando o âmago tuberculoso
Na alma deste horrífico lamentoso
Resquícios de vida, ignorados

Tomo um chá na madrugada fria
Um brinde solitário, uma agonia
Deste defunto ainda não enterrado

Brindo aos mortos e também aos vivos
Aos enfermos, aos esquecidos 
Brindo ao repouso dos corações dilacerados.

© 2014 O Poeta e a Madrugada Traduzido Por: Girotto Brito - Designed By Girotto Brito.