A VITÓRIA DA MEDIOCRIDADE

by 20.10.14 1 comentários


É inegável a importância que cada eleição tem para o brasileiro, pois são essas pessoas a quem damos o poder direto de coordenar nossas vidas e as vidas das pessoas que amamos que poderão nos beneficiar, como cidadãos, ou prejudicar cada passo do nosso desenvolvimento individual e coletivo. No entanto, vejo na grande maioria dos brasileiros um descaso hereditário e incentivado pela política, onde é comum ouvirmos depoimentos como "tanto faz, todos eles roubam, mesmo", "bandido por bandido, eu voto é nulo" ou "já estou se saco cheio de política, quando acaba as eleições?". Esse descaso já é perceptível ainda quando o cidadão não passa de uma criança e ao se ver frente a um teste escolar, abandona e sai da sala, ignorando a importância daquela avaliação em sua vida.
A política é uma das coisas mais fascinantes que existem, mas infelizmente o brasileiro aprende a, desde cedo, odiá-la. Dizem que é por causa da falta de credibilidade dos nossos políticos, dos constantes escândalos de corrupção, das melhoras que nunca chegam, das promessas não cumpridas, mas, de fato, odiamos a política porque somos educados a odiá-la. Fomos e somos doutrinados num sistema de educação e sociedade em que ler é hobby, quando deveria ser necessidade; A televisão, que deveria ser um hobby, é uma necessidade e não falta na casa de nenhum brasileiro, mesmo os mais paupérrimos. E nos programas de TV, uma avalanche de futilidades ocupam quase toda a programação, deixando pouquíssimo espaço para alguns programas educativos e conscientizadores na madrugada. A internet que deveria ser uma poderosa ferramente de aquisição e desenvolvimento do conhecimento, não passa de uma realidade virtual de interação coletiva e compartilhamento de futilidades. Nossos professores advertem: "Ler é preciso!", quando nem eles mesmos leem. Crescemos cercados pela cultura do entretenimento: desenho animado, filmes, novelas, futebol, festas, reality shows... Entretenimento que anestesia nossas vidas, tornando-as tão absurdamente cômodas que embrenharmo-nos nos estudos da sociedade, da política, das causas futuras e buscar contribuir de alguma forma ao futuro da humanidade passa a parecer uma causa desnecessária e fútil.
O descaso que o brasileiro tem pela política é o mesmo descaso que cada um tem por suas vidas. É a confirmação de que aquele sentimento espiritual que nos encaminha a uma contribuição única que cada ser humano tem a oferecer em vida à humanidade, já não existe mais. O que sobrou foi apenas o ócio, o comodismo e uma esperança utópica de que as coisas melhorem por si só.


Dênis Girotto de Brito

Escritor

Poeta e contista, autor do livro "Os três lados da moeda: vida e morte em poesia" e colaborador em diversas antologias de contos.

Um comentário:

  1. Você foi muito feliz na sua crítica Girotto. Recentemente, eu estava conversando sobre isso com uns amigos meus que se importam com política, e a gente percebeu que o buraco é muito mais profundo do que as aparências sugerem. Generalizar o desencanto e a mediocridade da política é a decisão mais cômoda para a maioria, porém, deveriam olhar mais para si mesmos e reconhecer que o egoísmo é o grande propulsor da ignorância, quantos não pensam "Que se dane esse bando de nojentos corruptos, o importante é que eu tenha o meu emprego e dinheiro para pagar minhas contas". O que falta para as pessoas é consciência social, algo que seria motivado pelo estudo da política, mas "o que isso me importa? o que eu ganho com isso? Enquanto isso não me afetar não tenho motivos para me preocupar". Soturna realidade.

    No mais, grande texto!!! Abraços

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