UMA VARA DE PORCOS

by 23.10.14 5 comentários


Há tempos que se fala em respeito às diferenças, mas o que se ensina em todos os lugares é a homogenização de tudo. Tornou-se um pecado mortal diferenciar o belo do feio, o "burro" do inteligente, o doente do saudável, o rico do pobre, o lobo do cordeiro, etc. A política da igualdade vêm injetando no ideológico social a criminalização da diferenciação, nos fazendo acreditar que todos são iguais sob a alegação de que isso se trata de "respeitos às diferenças". Uma ova! Respeito às diferenças é aceitar que elas existem e não negá-las. Essa concepção equivocada deturpa nosso discernimento e nos faz tomar decisões extremamente insanas, como é o caso da escolha dos nossos representantes políticos. Acreditar que "qualquer um" pode assumir o mais alto cargo do executivo desde que tenha boas intenções é igualizar todas as competências de quem se propõe a disputar o cargo. É desmerecer todas as qualificações, estudos, planejamento, preparação e projetos pela crença de que ter boa intenção é o suficiente. Como se soubéssemos quem, de fato, tem boas intenções. É acreditar que para ser o artilheiro do campeonato basta estar em campo e querer fazer gols. 
Nós, brasileiros, já estamos tão acostumados com as inversões de valores e ações que já nem notamos mais que nossas casas estão cercadas de grades, muros, cercas elétricas, etc. Nós, que deveríamos ser livres, construímos por conta própria nossas prisões particulares. Nos encarceramos como porcos no chiqueiro, amedrontados pelos lobos que rondam nossas casas. Nós, que fomos desarmados por quem nos representa, enquanto estes mesmos permitem que os criminosos andem livremente pelas ruas com suas armas em punho. Direito de defesa? Pra quê? Tornou-se crime tentar se defender. Defesa, hoje, é um privilégio apenas para quem comete o crime, a vítima que se dane nos processos intermináveis do judiciário.
De fato, olhando através dos olhos dos lobos, parecemos mesmo uma vara de porcos. Todos iguais. Nem mais bonitos, nem mais feios; Nem mais inteligentes, nem mais "burros". Apenas porcos aprisionados e prontos para o abate.

Dênis Girotto de Brito

Escritor

Poeta e contista, autor do livro "Os três lados da moeda: vida e morte em poesia" e colaborador em diversas antologias de contos.

5 comentários:

  1. Interessante a metáfora dos porcos no chiqueiro. Concordo plenamente Girotto, acredito que essa banalização do conhecimento é resultado da nossa herança cultural, da bestialização das classes populares em prol de uma minoria exploradora e exclusivista (lobos). E até hoje esse fardo ainda pesa em momentos decisivos para o país, como as eleições. Valoriza-se mais o político humorista e semianalfabeto do que o mais preparado e culto, dissemina-se o "jeitinho brasileiro" em detrimento dos estudos.

    Ótima reflexão.

    O Mundo Em Cenas

    Abraços

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    Respostas
    1. Estou passando para dizer que te indiquei para uma Tag no meu blog, Girotto. Não sei se você costuma responder, mas, de qualquer modo, fica como um gesto da minha vasta admiração perante o seu blog.

      Grande Abraço Poeta!

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    2. Fico muito feliz pela indicação, Vitor. Li o que você escrevei na Tag sobre os blogs indicados e estou grato pelo carinho e reconhecimento. Também acompanho ocasionalmente seu blog e gosto muito do conteúdo. Obrigado!

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  2. Concordo plenamente com você, amigo!
    Espero que amanhã tenhamos um resultado que favoreça ao crescimento do país, gerando mais emprego e não alimentando mais a pobreza, mas tentando educar e profissionalizar esse povo ,para que saiam da pobreza com dignidade e honra!
    bjus e bom final de semana,querido amigo!
    http://www.elianedelacerda.com

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  3. "Respeito às diferenças é aceitar que elas existem e não negá-las."
    Hoje no Brasil se vc não concorda com algo, é considerado criminoso. Essa ideologia do "politicamente correto" que na verdade não passa de uma mordaça que nos impede de expressar nossa opinião, nos impede até mesmo de ser verdadeiramente quem somos.

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