AUSPÍCIO

by 30.10.15 0 comentários


Decerto fui ingênuo e imaturo,
ao que me arrependo amargamente.
Hesitei em te deixar, fui negligente
ao aceitar que governasse tudo.
Tomaste de mim o meu mundo
e quando percebi já era tarde.
Agiste como uma fera covarde,
sem pena
sem remorso
sem alarde
lançou-me neste manicômio imundo.

Quando eu sair — e eu hei de sair —,
cobrarei de ti toda dissolução.
Essas paredes não me aprisionarão 
eternamente aqui.
Não queira estar por perto quando eu fugir,
pois vingarei todo o ranger de dentes,
pacientemente,
sem pena      
sem remorso
sem alarde
lançar-me-ei em tua carne,

Pois nesse hospício
o que me resta
é auspício.

Dênis Girotto de Brito

Escritor

Poeta e contista, autor do livro "Os três lados da moeda: vida e morte em poesia" e colaborador em diversas antologias de contos.

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