INCÓGNITA

by 13.10.15 8 comentários
Mistério ao vento (1971), de Reynaldo Fonseca.

Fui
e sempre serei
um homem nú-
mero.
Um resultado errado
para os problemas da vida.

Alma trans-
ferida
que não cicatriza.

Gente espontânea-
mente indecisa.

Fui
e sempre serei
um homem só-
brio.

Uma vil incógnita
para uma equação perdida.

Dênis Girotto de Brito

Escritor

Poeta e contista, autor do livro "Os três lados da moeda: vida e morte em poesia" e colaborador em diversas antologias de contos.

8 comentários:

  1. equações perdidas na vida
    inúmeros resultados
    cicatriz forjada na alma ferida

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  2. Gostei do brincar com a linguagem matemática e com a segmentação das palavras produzindo ambiguidades. Tudo de bom

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  3. Muito bom! Esteticamente criativo. Os finais dos teus poemaa são sempre ótimos!
    Quem nunca se sentiu uma incógnita para si mesmo né... acho que é por isso que escrevo para tentar desvendar equações rs
    beijos

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  4. Todos somos essa incógnita (palavra chatinha, me enrolo pra dizer, um verdadeiro trava língua, rs.), nem nós próprios nos entendemos, as vezes, nos surpreendemos. A verdade é essa, mais é a ai que reside talvez o belo, a ânsia do aprendizado, nessa inconsciência, nessa imprecisão de dados. Abraços.

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  5. Eu tenho por mim que o mundo é como é somos nós que complicamos, transformamos tudo em infinitas incógnitas. Tudo tornaria-se mais simples se não complicássemos tanto. Belo poema.
    Abraços.

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  6. Belíssimos versos...a superposição de "Gente espontânea / mente indecisa" e "Gente espontâneamente indecisa" é pura arte poética...um verso que é raiz de duas equações, ou superposição de dois poemas.
    Parabéns!

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  7. Você é mestre nesses jogos de palavras Girotto! Raramente se vê tamanha habilidade! E o modo como esses recursos estéticos se encaixam com a temática é simplesmente notável. Parabéns!

    Nunca me decepciono ao voltar aqui.

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  8. Incógnita, a palavra chave. Poema pra meditar...
    Abraço.

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