QUE É QUE ESTA TERRA TEM?

by 5.8.15 4 comentários


Não sou destas águas
Nem destes banhos
Não me criei por estas bandas
Tampouco vivi aqui minha infância

Mas me sinto abraçado
Como todos os filhos legítimos do Caeté

Não fui moleque do mangue
Nem girino de Igarapés
Não me vestiram de Marujo
Tampouco o Santo beijei os pés

Mas me sinto acolhido
Como todos os Marujos de São Bené

Não aprendi a catar caranguejo
Nem viajei nos vagões do trem
Não estudei no Mâncio Ribeiro
Há pouco daqui não conhecia ninguém

Mas me sinto um legítimo bragantino
Que é que esta terra tem?

Não sou ribeirinho dos canais de Ajuruteua
Nem ao menos sei pescar de rede
Não acredito das crendices populares
Tampouco da fé mato minha sede

Mas me sinto carinhosamente beijado
Pela atmosfera sempar caeteuara

Vim de longe
De muito longe
Onde as águas são doces
E os amores foram salobres

Mas o tempo me trouxe
Para esta terra de água salgada
Onde encontrei o sossego
Onde encontrei minha amada.

Dênis Girotto de Brito

Escritor

Poeta e contista, autor do livro "Os três lados da moeda: vida e morte em poesia" e colaborador em diversas antologias de contos.

4 comentários:

  1. Que lindo poetar, amei ler!
    Abraços amigo Dênis,estava sentindo saudade de você, faz algum tempo né mesmo?

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    1. Verdade, Ivone. Eu estive meio ausente por causa da rotina puxada, mas já estou voltando a ler os textos dos amigos. Fico feliz com sua visita. Abraços. :)

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  2. Que bela história traduz os teus versos Denis. Delícia te ler.
    Senti saudades.

    Beijos.

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    1. Obrigado, Lu.
      Estou voltando depois de algumas semanas afastado do blog e das leituras.
      Obrigado pela visita. Grande abraço!

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