O ENCONTRO

by 4.11.14 3 comentários


Não lembro ao certo em qual das noites de outono
Nem mesmo se o sono houve de perturbar minha mente
O que lembro 
vagamente
é que realmente houve o encontro
com a mitológica serpente,
Capiroto
Satanás
ou qualquer nome que venha à mente

E disse-me o anjo caído:
Sem minha presença entre os mortais
não haveria a grandeza humana!

"Blasfêmia!", eu teria dito,
mas antes do soar do apito 
sua voz insana insistiu em me interromper:

O que serias de ti, poeta, 
sem uma ponta de orgulho e vaidade?
Como haveriam de nascer os Papas e Santos
sem um mínimo de luxúria na Terra?
Como prosperariam os povos
sem uma dose da sutil avareza?

Sem me dar tempo à resposta
partiu sem deixar saudade
e ainda hoje relembro o encontro
do dia em que o próprio mal
destilado da sabedoria ancestral 
me ensinou o valor da maldade 
Da bondade dos maus
e da maldade dos bons.

Dênis Girotto de Brito

Escritor

Poeta e contista, autor do livro "Os três lados da moeda: vida e morte em poesia" e colaborador em diversas antologias de contos.

3 comentários:

  1. Todo e qualquer encontro nos modifica de alguma forma, nunca saímos ilesos. Deixamos algo ou levamos algo conosco... Muito bom!

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  2. Muito introspectivo e reflexivo o texto!
    Bom final de semana e bjus!
    http://www.elianedelacerda.com
    Bravo!!!!!!

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