VERTIGEM

by 4.2.15 6 comentários



I

Amortecendo a saudade
em lençóis 
de lembranças 
escassas

A morte sendo vontade
entre as quatro
paredes
do quarto

II

Em fraque sendo verdade
Sem fraque
levado
ao fracasso

Enfraquecendo a vaidade
em nós
de corda
de aço

III

Empobrecendo a cidade
entre becos
imundos
que nasço 

Em pobre sendo vantagem
o ônus
de março
à março

IV

Apodrecendo a cultura
nas entranhas
dos castelos
de aço

O podre sendo figura
entre escudos
de tudo
que é vago

V

Anoitecendo a linguagem
entre linhas
da literatura
que faço

A noite sendo vertigem
no lançar
dos corpos
no espaço.

Dênis Girotto de Brito

Escritor

Poeta e contista, autor do livro "Os três lados da moeda: vida e morte em poesia" e colaborador em diversas antologias de contos.

6 comentários:

  1. Ficando cada vez melhor nesses jogos de palavras, muito bom mesmo!

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    1. Obrigado, Aline. Essa brincadeira com a língua em sintonia com o sentimento que se quer transmitir é um exercício e tanto para quem escreve. :)

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  2. to gostando do jogo de palavras.
    cru e intenso

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  3. Uma brincadeira gostosa com as palavras, unida a um sentimento alucinande de real vertigem na sonoridade e interpretação dos versos. Show!

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